Lagoinha tira transporte dos alunos das escolas públicas


Foto: Reprodução

Crianças das escolas estaduais eram transportadas pela Prefeitura, que cancelou o contrato com a empresa que fazia o serviço. Mães também reclamam das péssimas condições das calçadas do município.

“Até o começo do ano, o meu filho pegava o ônibus na porta de casa. Desde março, ele está sem ir para a escola porque eu não tenho condição de pagar uma perua”, diz Marizilda, mãe do pequeno Guilherme, de 7 anos, aluno da Escola Estadual Isaura Valentini Hanser, na Vila Rosina, em Caieiras.

Nessa segunda-feira, ela e outras mães de crianças que estudam na rede pública estadual e usufruíam do transporte pago pela Prefeitura, participaram de uma reunião com o prefeito Lagoinha e o secretário de negócios jurídicos, Edgar Hualker Dias, filho do chefe de gabinete da Prefeitura de Caieiras, Mauro Caro Dias, em que foram informadas que o contrato com a empresa que levava as crianças à escola foi cancelado porque “o antigo prefeito desviou dinheiro que era direcionado para o transporte”.

Dilma, outra mãe ouvida pela Redação do Expresso Urbano, acrescentou que Lagoinha também afirmou que “essa não seria uma obrigação do município, mas sim do Estado”.  Ela tem três filhos. Dois estão sem ir às aulas presenciais também na E.E. Isaura Valentini Hanser por causa do alto custo da perua escolar. “O valor estava pesando no bolso. Estava pagando R$ 100 por mês para cada criança e não consegui manter”.

Por isso, desde março, eles acompanham as aulas pela TV, mas não tinham como fazer as tarefas e provas pelo aplicativo criado pela Secretaria Estadual da Educação, por não ter acesso à internet em casa.

As mães fizeram um abaixo-assinado que será entregue ao prefeito Lagoinha solicitando o retorno do serviço de transporte escolar.

No documento, elas afirmam que o objetivo é proporcionar aos estudantes o andamento de suas atividades escolares e diminuir a evasão.

Identifica-se uma relação entre nível socioeconômico e desempenho escolar, no sentido de que a precariedade financeira dificulta o acesso à educação e até mesmo à escola, o que interfere na participação do estudante nas aulas e de sua família na vida escolar. Nesse cenário, a oferta do transporte escolar é fundamental, e toda essa necessidade se tornou mais explícita com a crise sanitária que vivemos, que, além de ceifar vidas, trouxe o desemprego e a insegurança alimentar, que agravam ainda mais a situação das famílias em vulnerabilidade.

Má conservação das calçadas é alvo de reclamações

Ambas as mães chamaram a atenção para mais um motivo que dificulta a ida das crianças a pé para a escola: o mau estado de conservação das calçadas do bairro. O prefeito, conta Marizilda, também alegou que daria para as crianças irem a pé para a escola porque é a menos de dois quilômetros de casa. Entretanto, a mãe contraria o prefeito. “É um morro enorme, que judia muito das crianças e eu não tenho como levar porque tive COVID-19 em maio e ainda me canso muito também”.

Dilma alerta para a falta de calçadas e cobra uma faixa de pedestre nas proximidades da escola. “É muito perigoso para crianças pequenas como meus filhos. Lá passa ônibus, passa caminhão e não tem nenhuma sinalização e nem calçada”, reclama.

O que dizem os citados

A Redação do Expresso Urbano entrou em contato por e-mail com a Prefeitura de Caieiras em busca de esclarecimentos sobre a interrupção do contrato do transporte escolar e a respeito da declaração de que o prefeito anterior, Gerson Romero, teria desviado recursos do transporte, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

A Diretoria Regional de Ensino de Caieiras também não respondeu ao nosso e-mail.

Gerson Romero negou, indignado, as supostas acusações contra ele. Segundo o ex-prefeito, tais afirmações são caluniosas e partiram de pessoas desqualificadas.

Ele informou, ainda, que ingressará com uma queixa-crime contra o secretário de negócios jurídicos, Edgar Hualker, e que até o fim do seu mandato os alunos caieirenses da rede estadual foram beneficiados pelo transporte escolar, sempre mantido pela Prefeitura.

Disse, por fim, que investir na educação sempre foi uma diretriz de sua administração e que é a incapacidade administrativa da atual gestão que prejudica os cidadãos, neste caso, os alunos que perderam o transporte.

O espaço permanece aberto para manifestação dos demais citados.

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