Times brasileiros de basquete precisam se remodelar para que o NBB saia da mesmice


Foto: Marcelo Cortes/Flamengo

O basquetebol brasileiro já foi reconhecido como um dos melhores do mundo. Já subimos em diversos pódios e produzimos grande estrelas de sucesso internacional. Entretanto, fica evidente que, após a época de ouro de Amaury Pasos e Wlamir Marques e a era Oscar Schmidt, a modalidade, no Brasil, computa constantes tropeços e sofre com a ausência de ídolos capazes de carregar o verde e amarelo à grandes conquistas.

Em 2008, na intenção de retomar os dias de glória, as principais equipes que formam o basquete no país resolveram criar uma liga mais forte e atualizada. Descentralizando o poder das mãos da CBB – Confederação Brasileira de Basquete, que há décadas é assolada pelo desmonte, descaso, corrupção e péssima administração, ali nascia a LNB – Liga Nacional de Basquete, a fim de gerenciar, junto aos times, a inovadora competição: o NBB – Novo Basquete Brasil. A temporada inaugural ocorreu no ano seguinte, em 2009, com o Flamengo sendo o primeiro campeão.

Contudo, nesses últimos 12 anos, o que ficou evidente foi a cultura do óbvio. Em todos os sentidos. De lá para cá, o Flamengo ganhou mais cinco das últimas 12 edições; além dos três títulos do Brasília, um do Bauru e um do Paulistano, para variar um pouco. A temporada 2020 não contou com um campeão, por conta da COVID-19. Todavia, a atual temporada já estava categoricamente definida para uma final entre São Paulo e Flamengo, desde o início do campeonato.

Após uma partida em que o tricolor paulista perdia por quase 20 pontos para o Minas Tênis Clube, terminar em virada histórica, somando 2 a 0 na série de melhor de 5, ficou claro que a equipe tinha mais do que forças suficientes para varrer a equipe de Minas Gerais com um 3 a 0 expressivo – o que de fato aconteceu neste último sábado. Do outro lado, o rubro negro da gávea, não teve dificuldade alguma para bater o Paulistano, também culminando em 3 a 0.

A campanha de primeiro lugar do Flamengo na fase regular e terceira colocação do São Paulo, em conjunto com a classificação à final do NBB, muito se deve ao forte elenco das equipes. Porém, o fator de maior relevância para o sucesso delas, mesmo sem torcida, pouca mídia televisiva – contando apenas com transmissões da TV Cultura, aos sábados, e da ESPN, às terças – e com patrocínio reduzido pela pandemia, é o fato de serem programas pertencentes a grandes clubes de futebol, com alto investimento e visibilidade.

Só para se ter uma noção, das 16 equipes que participaram deste NBB, quatro são originárias de times de futebol, três são Clubes Sociais, como o Pinheiros, e nove são Associações voltadas apenas à prática do basquete – algo mais próximo de como funcionam as franquias da NBA, mas em menores proporções e com um caráter menos corporativo. Mesmo com um número superior de times fundados com a finalidade específica deste esporte, apenas o Bauru ganhou um troféu, em um de seus melhores momentos financeiros, pelo investimento e patrocínio.

O que circunda toda essa situação é a cultura brasileira da superação a todo custo. Nossos atletas não são bem-vistos se não passam por maus bocados. A “meritocracia do sofrimento” é artigo de luxo neste país. As ações públicas por meio de leis de incentivo e políticas públicas são fundamentais para criar uma base de apaixonados pelo basquete. Todavia, na minha opinião, o que falta para grandes ligas, como o NBB, alcançarem status semelhante ao da NBA e saírem do marasmo, é uma visão empresarial somada ao engajamento por parte de grandes empresários e marcas nacionais e estrangeiras.

Não digo exatamente sobre patrocinadores, mas sobre administradores adquirindo equipes, gerando receita, tornando o Brasil um local ideal para a vinda de grandes nomes do basquete mundial – o que consequentemente atrairia o interesse da mídia e do público, impulsionando o jogo no país. Se nos Estados Unidos temos exemplos como Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks, e Steve Ballmer, dos Clippers, está mais do que na hora do NBB ser remodelado, e os times serem transformados em potências e admiráveis modelos de negócios.

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