Seria o adeus à uma NBA de dinastias e um olá para uma NBA mais equilibrada?


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Durante décadas, o que se viu no cenário do basquete norte-americano, mais precisamente o da NBA, foram grandes batalhas que geraram históricas rivalidades, como Lakers e Celtics, Pistons e Bulls, Pacers e Knicks, entre muitas outras. Só para se ter uma ideia, durante os anos 60, o Boston de Bill Russel e Bob Cousy venceu 9 dos 10 títulos disputados. Além disso, de 1946 – fundação da NBA – até hoje, os Los Angeles Lakers e o Boston Celtics conquistaram 17 troféus de campeões, cada, dando à liga um ar de dinastias e completa disparidade entre as equipes.

Mais atualmente, como parte dessa quase regra, entre os anos de 2011 e 2020, todas as finais contaram com a presença de Lebron James, Stephen Curry, ou de ambos. Contudo, nesta temporada, após 10 longos anos, não teremos nenhum dos dois nestas finais. O time de Lebron “King” James caiu ainda na primeira fase dos playoffs contra o surpreendente Phoenix Suns. Já o de Curry, o “Brinquedinho assassino”, foi eliminado pelo esquadrão do Memphis Grizzlies, comandado por Ja Morant e companhia limitada, ainda na fase de Play-in – formato incorporado na última season e reutilizado nesta.

Por outro lado, o que se pode destacar são times competitivos, vindos de longos processos de montagem e administrações minuciosas. O Philadelphia, por exemplo, percorreu um extenso caminho para chegar ao atual momento de destaque. A equipe que já foi uma das piores em temporadas passadas, hoje é uma das principais forças do lado leste, ao lado de Bucks, Nets e Hawks, outros três times que utilizaram de métodos semelhantes ao do 76ers.

Do lado oeste, por sua vez, os Suns, liderados pelo alto QI e experiência de Chris “Point God” Paul e um jovem e talentoso elenco, juntamente com o Clippers – ex-time de Paul – e o sempre subestimado Utah Jazz – que persegue o tão sonhado título desde as finais contra Michael Jordan, nos anos 90 – marcam o território como os donos da conferência.

Posteriormente à dinastia do Golden State Warriors, já tivemos um campeonato vencido pelo Toronto Raptors – equipe que nunca havia ganhado a NBA –, uma nova conquista dos Lakers – depois de uma década sem chegar às finais – e, agora, uma possível final sendo disputada entre Nets e Suns – podendo, também, ser contra Clippers ou Utah, todos times que não possuem sequer, uma faixa de campeão pendurada no alto de suas arenas.

Para muitos, isto não passa de uma breve mudança gerada pela renovação das estrelas da liga e “passagem de cajado” dos mais velhos aos mais jovens. Porém, para mim, vai além. É uma virada de chave no imaginário dos atuais e futuros atletas e das franquias. Uma possibilidade de dar cara nova à NBA. Deixar para trás as enormes disparidades entre os times que compõem o maior campeonato de basquete do mundo, e tornar este show ainda mais atrativo, através da nivelação e competitividade.

O futuro não é de uma única superestrela ou uma super equipe, mas de um conglomerado de 30 times – ou mais – fortes o bastante para brigar pelo pódio do início ao fim. Sem mais varridas astronômicas ou MVP’s óbvios, algo totalmente novo e surpreendente. Ainda teremos jogadores capazes de desequilibrar partidas, mas o coletivo contará mais ao zerar do cronômetro. O mundo do basquete foi se alterando com o passar do tempo, e o que podemos afirmar é que novas mudanças aguardam em um futuro não tão distante.

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