Machismo no mundo gamer: Mulheres se unem e criam ambiente saudável para jogar


Foto: Reprodução

Iniciativa aconteceu com jogadoras de Genshim Impact

Infelizmente o machismo ainda impera no meio gamer. Casos e mais casos de ofensas a mulheres acontecem com muita frequência. Um dos casos mais emblemáticos desse tipo de atitude desprezível aconteceu com Isadora Basile, que foi afastada pela Microsoft, em 2020, após sofrer ataques machistas na internet.

Com um clima que muitas vezes não é dos mais amistosos, garotas se unem em grupos somente de mulheres, para desfrutarem de momentos de lazer em paz, sem sofrer ataques apenas por serem meninas.

Uma dessas iniciativas aconteceu com o jogo Genshim Impact: no começo de 2021, surgiu o grupo de WhatsApp “Patroas de Teyat”, com jogadoras dedicadas ao RPG, um dos maiores fenômenos dos últimos tempos.

Lançado no segundo semestre de 2020, o jogo de RPG é conhecido por ser no estilo PVE, em que não existem interações de batalhas entre jogadores e nem o famoso PK (Player Kill), que atrapalha o avanço e desenvolvimento dos gamers novatos nos jogos de MMORPG. Por essa mecânica o jogo já afasta os conhecidos jogadores “tóxicos” e torna a comunidade um pouco mais segura.

Entretanto, mesmo com essa “segurança” extra, as garotas preferem se reunir para jogar em paz e passam horas fazendo as missões do jogo e conversando por meio do Discord em um ambiente no qual não existe toxicidade nem ofensas.

Com a palavra, as gamers

Confira alguns relatos de algumas jogadoras de Genshim sobre suas experiências em jogos e a dinâmica de jogar somente com amigas que conheceram por conta do jogo.

“Eu já sofri muito machismo em jogos de RPG e Mobas, sempre joguei com suporte e qualquer coisa que você faça, já criticam dizendo que é por ser mulher. Já ouvi muitos homens falando, quando caía no time, que ia dar m**** a partida por eu ser mulher, fora alguns casos de assédio”, revela Duda.

Duda ainda relata a diferença que é jogar com homens e com mulheres. “Eu sempre fico com medo de jogar com outros garotos, ainda mais por ter ansiedade. Já deixei de jogar games que gostava por ter poucas meninas e eu passar mal por conta do que alguns caras diziam para mim. Jogar com mulheres é muito mais tranquilo, tem uma paz muito boa, às vezes não quero jogar por falta de ânimo, mas aí vejo alguma delas precisando de ajuda ou até mesmo querendo jogar com alguém e vou junto”, finaliza.

Outra jogadora que se sente muito melhor em jogar em um grupo de mulheres é K.F. Pereira. “Sinto mais liberdade e segurança para jogar. Muitas vezes fui motivo de chacota por não entender algo do jogo. Por vezes, muitos homens menosprezaram minhas dúvidas e até mesmo minhas opções para compor meus personagens no jogo. Jogar com as meninas é muito diferente, me senti igual, com garotos o ambiente me fazia sentir pequena e até débil.”

K.F. ainda relata que a principal diferença encontrada é a liberdade de poder se expressar, sem medo de ter sua capacidade julgada pelo seu sexo e não pelo conhecimento do jogo, além, é claro, de não correr o risco de ser assediada.

Lívia também faz parte do grupo “Patroas de Teyat” e fala um pouquinho da experiência que tem sido jogar com as garotas.

“Jogar com mulheres é mais tranquilo, você não precisa ficar preocupada se o cara está entendendo a amizade no jogo de uma forma errada. Eles sempre acham que têm que te proteger ou elogiam demais quando você faz alguma coisa boa. Com as meninas o clima é de ajuda mútua, sem interesse, a intenção é que todas evoluam sem clima de competição ou egos feridos”, finaliza.

Anna Luiza afirma que quando descobriu o grupo no WhatsApp não pensou duas vezes e quando teve a oportunidade, entrou. E jogar com outras garotas está sendo uma ótima experiência. “Jogar com as meninas é muito confortável, o assunto flui muito melhor e muitas vezes não fica um clima estranho, é mais fácil de conversar. Por vezes os caras aparecem só para perturbar e às vezes passam dos limites. Por isso eu fiquei super animada quando vi o grupo.

Dias melhores virão?

Todos torcemos para que o ambiente em um jogo seja o melhor possível para todos os jogadores e jogadoras. Enquanto esse ambiente seguro e de respeito mútuo não se concretiza na comunidade, ações como essa sempre serão bem-vindas.

E que as garotas, que já são a maioria (53,8%), segundo levantamento realizado em 2020, possam continuar se dedicando aos jogos em ambientes saudáveis e de pura diversão, como deveria ser, para quem ama jogar.

1 Comentário

  1. Deh
    12 de maio de 2021
    Responder

    Ótima matéria! Fico feliz de fazer parte desse grupo de meninas!
    Que o publico gamer feminino ganhe cada vez mais espaço e respeito. Machismo é algo que não cabe mais em nenhum segmento social, precisamos apoiar essa mudança.

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