Apesar de boa campanha, Brasil dá adeus ao sonho da vaga olímpica


Foto: Reprodução/FIBA

No primeiro domingo de julho, 04, a Seleção Brasileira de Basquete Masculino entrou em quadra contra a Alemanha, pela disputa da final do Pré-Olímpico, em Split, na Croácia. Após uma campanha avassaladora de três vitórias seguidas, todas com placares acima dos 20 pontos de diferença (BRAxTUN: 83 a 57; BRAxCRO: 94 a 67; BRAxMEX: 102 a 74), o Brasil caiu diante dos alemães, por 75 a 64. Com isso, repetimos algo que não ocorre desde 1976 – não temos representantes do nosso basquete nas modalidades feminina e masculina para disputar as Olímpíadas.

Diferente dos últimos jogos, marcados por uma dominância defensiva, rotação de bola inteligente e boas escolhas dos chutes de três pontos, dessa vez, o Brasil foi irreconhecível. A final trouxe à tona uma característica que persegue tanto a seleção masculina quanto a feminina: a dificuldade em definir jogos cruciais, demonstrando um baixo equilíbrio emocional. Para se ter uma ideia, nessa partida, tivemos um aproveitamento de 39% dos arremessos de dois e 28% do perímetro – algo bem abaixo em relação a fase de grupos.

Entretanto, não considero que tenha sido apenas esse o fator primordial para a derrota dos nossos atletas. Ao mesmo tempo em que trememos em momentos decisivos, nosso elenco ainda não está à altura de uma disputa olímpica. Acredito também, que houve um grande equívoco de Petrovic na escalação e na forma como utilizou seus jogadores. Em uma final de Pré-Olímpico, não colocar em quadra Georginho de Paula e Lucas Mariano, os dois últimos MVP’s do NBB, e companheiros de clube, para apostar em Rafa Luz, Huertas e Hettsheimeir – ambos com menos de 10 pontos – é, no mínimo, intrigante.

Já para o técnico Aleksandar Petrovic, o que de fato atrapalhou nesta final, foi a falta de mais um chutador de elite ao lado de Vitor Benite – que não teve um bom rendimento –, um bom ala defensivo – já que Alex Garcia sente o peso de seus 41 anos de idade – e um jogador com habilidades individuais capazes de desestabilizar no jogo 1 contra 1 – sendo visto, por muitos, uma leve alfinetada em Didi Louzada, Gui Santos e Raulzinho, que pediram dispensa da seleção, visando suas carreiras particulares na NBA.

A preocupação gerada por essa derrota vai além. Se o que possuímos de material humano nesse Pré-Olímpico for realmente o que temos de melhor – o que creio que não seja o caso –, temos um grande problema. Uma equipe que perde para uma Alemanha desfalcada de seus maiores jogadores, como Dennis Schroder, Maxi Kleber, Daniel Theis, entre outros, contando somente com o “Garoto de Berlim”, Moritz Wagner, de 24 anos, pivô reserva do Orlando Magic, evidencia uma acentuada fraqueza em sua defesa de garrafão.

Mesmo se tratando de um promissor atleta, sofrer quase 30 pontos de um único jovem, dos 76 anotados pela Alemanha, mostra o quanto precisamos melhorar para voltar ao patamar alcançado anos atrás. Pois, ter como cestinha do lado brasileiro, Anderson Varejão, próximo aos 40 anos, com apenas 14 pontos – menos da metade de Mo Wagner – entristece qualquer entusiasta do basquete brasileiro. Se, de um lado a seleção brasileira volta para casa e vai assistir as Olimpíadas de Tóquio do sofá, do outro, a Alemanha terá muito trabalho em um forte grupo, com Austrália, Nigéria e Itália, que venceu a poderosa Sérvia na outra final.

Contudo, não devemos nos abater. Comparado a alguns anos, nosso time está novamente nos trilhos. Precisamos ter muita paciência e intensificar o trabalho de base, para que novos talentos assumam o lugar de jogadores que passaram da hora de não serem mais convocados. É necessário mudar a mentalidade atrasada que temos do basquete no país, e passar a investir profundamente nesta modalidade.

Quando comparamos as estruturas de ligas estrangeiras, como NBA, WNBA e Euroliga, com o NBB e LBF, fica mais do que evidente porque perdemos tanto prestígio no cenário mundial e não avançamos por Alemanha no masculino e pela seleção “universitária” dos EUA no feminino.

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