Brasil perde para os EUA na semifinal, mas fica com o bronze na AmericaCup


Foto: Divulgação/FIBA

Após o massacre do Brasil sobre a seleção da Venezuela, nas quartas de finais, por 90 a 59, na última quinta-feira, 17, e um desempenho positivo na fase de grupos, muito se esperava das nossas jogadoras no jogo contra os EUA. Apesar de um primeiro tempo fantástico, com uma apresentação de gala por parte das brasileiras, o segundo tempo foi enfaticamente marcado por um apagão do Brasil somado a uma total mudança de comportamento das norte-americanas.

Para que houvesse uma reviravolta aos moldes das melhores do mundo, um forte jogo de garrafão com repetidos rebotes ofensivos e uma defesa agressiva foi a estratégia imposta em quadra, na etapa final da partida. Com os ânimos aflorados e um psicológico abalado por verem as adversárias destruírem a vantagem conquistada antes do intervalo, nossa equipe combinou para menos de 50% nos arremessos de dois pontos, culminando em tentativas desesperadas de três pontos e diversos erros de passes – algo muito semelhante ao cenário da derrota versus o Canadá.

Dominando a área pintada, a pivô Elissa Cunane, de 20 anos e 1,96, efetuou 19 pontos, tornando-se a cestinha do embate, mostrando que é necessário uma renovação ainda mais profunda no garrafão brasileiro. Próxima de completar 40 anos, Érika de Souza exibiu um jogo abaixo de seu nível habitual, e Kamilla Cardoso mostrou que precisa de mais experiência para assumir o posto de titular nos momentos decisivos. Mesmo com o amargo placar de 71 a 60 e a eliminação, terminamos a competição em terceiro lugar, ficando com o bronze.

Enquanto os EUA avançaram às finais para confrontarem as donas da casa, Porto Rico, que ganhou do Canadá na semifinal, superando todas as expectativas, a medalha canarinho veio em detrimento da vitória diante das canadenses – único time que havia nos vencido na fase inicial da AmericaCup – no último sábado, 19. Diferente do que foi observado no dia anterior, as brasileiras mantiveram, do início ao fim, uma postura campeã e ditaram, na maior parte do tempo, o ritmo das ações.

Jogo dramático

O resultado de 87 a 82 não foi conquistado com facilidade. Os 40 min não foram suficientes para que uma das seleções se consagrasse como terceira colocada, necessitando de duas prorrogações dramáticas para que o sorriso e o olhar de dever cumprido estampassem os rostos das jogadoras e comissão técnica do Brasil. Coletivamente, a garra e determinação permaneceram em quadra por todo o tempo. Mantivemos a calma e, dessa vez, não deixamos que os momentos finais mudassem a maneira de atuar.

O time fechou sua participação com um retrospecto de 5 vitórias em 7 partidas, perdendo para Canadá e Estados Unidos. Individualmente tivemos importantes destaques no campeonato. As pivôs Érika e Kamilla tiveram mais de 8 rebotes de média, e Clarissa, de 33 anos, terminou como uma das cinco atletas do quinteto ideal da AmericaCup, além de cestinha, com 94 pontos totalizados, e médias de 13,4 pontos e 7,1 rebotes. Com ela, Elissa Cunane, Manuela Rios, Jennifer O’Neill e a MVP Rhyne Howard completaram o time ideal.

Por fim, como esperado, as norte-americanas subiram ao pódio com seu esquadrão de universitárias, dando aula de como é fundamental o investimento na base. Sem complicações, a final acabou em 74 a 59, com o título para os EUA. Por outro lado, desafiando padrões históricos, as vice-campeãs deixaram claro que possuem um futuro brilhante, capaz de brigarem de igual e cavar espaço como uma das principais equipes da América.

O que fica de lição é que, apesar da torcida pelo ouro e da expectativa por novos ares, o Brasil não decepcionou – mesmo podendo ter sido melhor, se evitasse os erros constantes e não se deixasse afetar pelo desequilíbrio emocional – trazendo a medalha de bronze, como terceira maior força do basquete feminino nas Américas, ao derrubar a 4ª melhor seleção do mundo, o Canadá, com o dever cumprido de conseguir uma vaga ao Pré-Mundial de Basquete, na Austrália, do ano que vem.

Voltaremos a ser grandes, mas o percurso é longo e árduo. Requer esforço, incentivo e, é claro, uma pitada de sorte.

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